“A ordem internacional já não existe”
Na abertura do seminário, o diplomata Celso Amorim diz que Brasil sempre defendeu a reforma do status quo do concerto das nações
“A quarta edição do projeto USP Pensa Brasil acontece em momento muito particular do Brasil e em uma conjuntura internacional de incertezas e insegurança sobre os rumos dos acontecimentos”, lembrou a vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, na abertura do evento que acontece durante esta semana, no Auditório István Jancsó, na Cidade Universitária da USP, na capital paulista, tendo como tema O Brasil e a Nova Desordem Mundial.
“Concebido há mais de dez meses, o USP Pensa Brasil parece ter antecipado os problemas agravados aqui e em outros países. Se a nova desordem mundial poderia estar se avizinhando no horizonte, não estava totalmente explícita. Nesse sentido, a montagem do tema resultou de uma percepção, mais do que uma certeza sobre uma mudança, em vir-a-ser e que tal transformação teria uma desorganização em escala mundial”, acrescentou.
Alexandre Macchione Saes, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e coordenador curatorial do evento, explicou, em sua fala, o que inspirou a concepção dos temas do evento: “Pensar em projetos para o século 21; lidar com a fratura da sociedade; estabelecer novas ações e políticas para o meio ambiente; temas já difíceis de serem conduzidos a partir da dimensão nacional, se tornam ainda mais difíceis de pactuar a partir do atual quadro internacional”. E explicitou: “Foi nesse sentido que, em 2025, trouxemos para o seminário a temática O Brasil e a Nova Desordem Mundial. Mais do que nunca, ainda que seja possível e necessário que cada país enfrente localmente impasses contemporâneos, tais como a crescente desigualdade econômica, a polarização política e a destruição ambiental, os desafios do capitalismo poderão ser resolvidos plenamente no âmbito de uma governança internacional”.
“Como destrinchar o caminho?”, perguntou, por sua vez, Pedro Dallari, diretor do Instituto de Relações Internacionais da USP, ao expositor convidado para a palestra, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, com quem compôs a mesa. E citou o historiador Fernand Braudel: “Os acontecimentos são como vagalumes na noite brasileira: eles brilham, mas não iluminam o caminho”.
Diplomata de longa carreira, Amorim foi duas vezes ministro das Relações Exteriores nos governos Itamar Franco e Lula, ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff e ocupou inúmeros cargos na estrutura diplomática mundial, sendo atualmente assessor especial do presidente Lula, acumulando uma enorme experiência na diplomacia e questões internacionais.
Amorim citou em uma de suas respostas o pensador Karl Marx, que inspirou movimentos revolucionários em nome do socialismo e do comunismo ao longo dos séculos 19 e 20: “A humanidade só cria problemas que ela pode resolver”, lembrando que as sociedades há muito enfrentam a dialética entre ordem e desordem e que nunca viu conjuntura internacional tão perigosa.
“A ordem internacional já não existe, há um sentimento de que o mundo está mudando”, e citou a música Fora da Ordem, cantada por Caetano Veloso: “Alguma coisa está fora da ordem / Fora da nova ordem mundial, / Alguma coisa está fora da ordem, / Fora da nova ordem mundial”, relembrou. Desfilou uma série histórica de acontecimentos mundiais, do século 19 a datas recentes, em que é possível identificar que o Brasil sempre se pautou por tons pacifistas e a favor da superação diplomática de problemas e dificuldades. “A história da diplomacia brasileira não registra passividades, sempre defendeu a reforma da ordem pública internacional”, afirmou.
Detendo-se na conjuntura, Amorim disse que o momento atual, contudo, é de globalismo, em que prevalecem os interesses do aumento dos fluxos de capitais em benefício dos seus detentores e dos países mais desenvolvidos. A globalização, que pressupõe uma relação mais equilibrada entre países ricos e em desenvolvimento, estaria em baixa.
Quanto ao atual momento difícil entre o Brasil e os EUA de Trump, a respeito do qual o presidente norte-americano acenou recentemente com uma possível conversa desobstruidora dos obstáculos em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Amorim foi claro: “Precisa envolver respeito à nossa dignidade e à nossa soberania, este um valor inegociável”.
Como o Brasil pode enfrentar o atual momento e seus desdobramentos? Vale registrar as palavras do coordenador curatorial do evento, Alexandre Saes: “A chamada nova (des)ordem mundial entretanto tem características próprias. A ascensão econômica da China desafia o tradicional protagonismo ocidental, enquanto os Estados Unidos assumem rumos tortuosos em suas políticas externas, ora isolacionistas, ora intervencionistas. Ao mesmo tempo, novas articulações internacionais como o Brics ecoam a Conferência de Bandung de 1955, que reuniu países não alinhados em busca de maior autonomia diante das grandes potências. Esse movimento, embora marcado por tensões e contradições, abre espaço para a emergência de vozes alternativas no sistema internacional e coloca o Brasil diante da possibilidade de exercer maior influência em pautas globais”.
“Dimensionar o que denominamos de nova desordem mundial não é tarefa fácil, dada a sua complexidade, sobretudo porque estamos imersos, por vezes atônitos, com a dinâmica recente”, registrou em seu discurso de abertura a vice-reitora, Maria Arminda do Nascimento Arruda.
Para informações sobre a programação dos próximos dias do evento, acesse: https://pensabrasil.usp.br/
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