Quando o câncer do sangue não dá sinais: o desafio das leucemias crônicas

Essas doenças muitas vezes são descobertas em exames de rotina ou que investigam a origem de outros problemas de saúde, alerta o hematologista Pedro Neffá, da Oncologia D’Or.

Quando o câncer do sangue não dá sinais: o desafio das leucemias crônicas

Depois do linfoma, a leucemia é o câncer de sangue mais comum em todo o mundo. Só em 2023, foram cerca de 573 mil novos casos1. De 2016 a 2026, o número de brasileiros diagnosticados por ano com a doença cresceu 21%, saltando de 10.0702 para 12.2203. Nesse período, a alta da taxa populacional foi inferior a 4%4,5. O envelhecimento da população e a melhoria do diagnóstico explicam a curva ascendente da enfermidade que pode ser classificada como aguda ou crônica, segundo a sua progressão. Essa última requer chama atenção por ser silenciosa.
 

“Essas neoplasias crônicas se desenvolvem muito lentamente e nem sempre provocam sintomas”, afirma o hematologista Pedro Neffá, da Oncologia D’Or. “Por isso, muitas vezes, são descobertas em exames de rotina, como o hemograma completo, ou que investigam as causas de outras queixas”, complementa o médico.

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia ocupa o 13º lugar entre os cânceres mais incidentes no País3. Ocorre quando uma mutação genética provoca a multiplicação desordenada dos glóbulos brancos, que passam a substituir os outros componentes vitais do sangue. A doença de origem crônica é mais comum a partir da quinta década de vida, principalmente nos homens.
 

Leucemias linfocítica e mieloide

Além da progressão, a enfermidade é classificada de acordo com a origem da célula afetada. Se atingir os linfócitos (células de defesa), é denominada leucemia linfocítica. Caso acometa outras células do sangue, como os glóbulos brancos e vermelhos e as plaquetas, chama-se leucemia mieloide.
 

A leucemia linfocítica crônica é o tipo de leucemia mais comum no mundo ocidental. Nos Estados Unidos, representa mais de 30% dos novos casos de leucemia por ano6. Cerca de 70% deles ocorre após os 65 anos de idade. Três em cada dez pacientes são assintomáticos7.
 

Já a leucemia mieloide crônica se caracteriza pela presença do cromossomo Philadelphia. Ela representa 15% de todos os novos casos de leucemia no território norte-americano por ano7. Metade dos pacientes é assintomática.
 

Os homens a partir dos 50 anos são os mais suscetíveis à leucemia crônica.

Os sintomas das leucemias crônicas, quando surgem, são febre, fadiga, palidez e perda de peso, sangramento e suor noturno. A leucemia linfocítica crônica causa ainda o aumento dos gânglios. E a mieloide crônica, o aumento do baço.
 

Tratamento

Nas últimas duas décadas, o tratamento das leucemias crônicas sofreu grandes avanços, com destaque para as terapias-alvo, que atingem um ou mais pontos específicos do organismo. Esses medicamentos substituíram a quimioterapia indicada até 15 anos atrás para pacientes com leucemia linfocítica crônica.
 

Até os anos 2000, a leucemia mieloide crônica era a principal indicação para o transplante alogênico de medula. Hoje os pacientes são tratados com um medicamento oral, os inibidores de tirosina-quinase.
 

Segundo o médico Pedro Neffá, esse tipo de leucemia é um protótipo das doenças oncológicas. “Ela possui um evento molecular dominante, que marca o início e o crescimento do câncer. O medicamento bloqueia essa alteração genética específica, conseguindo reverter a doença”, explica. Em certos casos, é possível parar o tratamento sem a evolução do quadro. O paciente convive com a doença por muitos anos e tem uma boa qualidade de vida.
 

As chances de desenvolver leucemias crônicas aumentam com a idade. Na leucemia linfocítica crônica, os grupos de risco são formados por indivíduos do sexo masculino, com histórico familiar para a doença ou ancestralidade branca/europeia. Na leucemia mieloide crônica, a exposição a altas doses de radiação ionizante é o principal fator ambiental reconhecido3.
 

O hematologista da Oncologia D’Or afirma que um porcentual significativo de pacientes com leucemia linfocítica crônica têm familiares de primeiro grau com a doença. “De 5 a 10% dos pacientes podem ter algum familiar com a enfermidade”, avalia o especialista.
 

A prática de atividade física, a adoção de uma dieta saudável e um sono restaurador são recomendados para prevenir as leucemias crônicas. “A consulta anual ao médico e a realização de um hemograma podem auxiliar na detecção precoce da enfermidade”, observa Pedro Neffá.
 

Referências

  1. The Global, Regional, and National Burden of Cancer, 1990-2023, With Forecasts to 2050: A Systematic Analysis for the Global Burden of Disease Study 2023. GBD 2023 Cancer Collaborators. Lancet (London, England). 2025;406(10512):1565-1586.
  2. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. Rio de Janeiro, INCA, 2016.
  3. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. Rio de Janeiro, INCA, 2026.
  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link
  5. IBGE. Disponível em: Link 
  6. American Cancer Society. Disponível em: Link 
  7. Leukemia: What Primary Care Physicians Need to Know. Gbenjo JTC, McCrary GLM, Wilson SE. American Family Physician. 2023;107(4):397-405.

 

Sobre a Oncologia D'Or

A Oncologia D'Or opera uma rede com mais de 60 clínicas em 12 estados brasileiros e no Distrito Federal. Seu corpo clínico é formado por mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia, que, junto às equipes multiprofissionais, entregam um cuidado integral, personalizado e de excelência ao paciente.

Em estreita integração com grande parte dos mais de 79 hospitais da Rede D'Or, a instituição proporciona uma experiência assistencial abrangente, combinando terapias avançadas e os modelos mais modernos de medicina integrada, assegurando agilidade, eficiência e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, desde o diagnóstico até a recuperação.